Workshop 2017: Manutenção é estratégica e no atual cenário representa uma oportunidade

 O atual cenário econômico trouxe mudanças na área de equipamentos usados em obras de infraestrutura, na construção e na mineração. Os usuários passaram a buscar a maximização da disponibilidade e da produção, a redução de custo operacional, o retorno do capital investido somado à baixa renovação de suas frotas. 

Para ter uma análise abrangente desse panorama, a Tracbel promoveu uma pesquisa com 350 usuários de equipamentos pesados em todo o país, cujo parque de máquinas e caminhões soma aproximadamente seis mil unidades. Em sua maioria (80%), os entrevistados eram proprietários, compradores e gerentes das empresas. O objetivo foi identificar os benefícios e tributos valorizados por esses clientes, o comportamento nesse cenário e a identificação de tendências no mercado. 

A pesquisa, apresentada por Luiz Gustavo R. de Magalhães Pereira, CEO do Grupo Tracbel, no Workshop 2017, mostrou que boa parte dos entrevistados está realizando a reforma de suas máquinas, com mecânicos próprios ou terceiros e cerca de 16% faz com concessionários. “Eles estão dando uma segunda ou até terceira vida para seus equipamentos, em função da falta de capital, de recursos ou de créditos para comprar novos. Ao mesmo tempo, isso representa um desafio, por ser uma oportunidade para os distribuidores, e um alerta, em relação à durabilidade e confiabilidade das peças”. 

Outro resultado importante foi que os fatores que esses usuários mais consideraram ao responder a pesquisa são a disponibilidade operacional (15,1%), o consumo de combustível (12,5%) e o custo de peças (9,8%). 
Pereira ainda comentou sobre práticas da área de manutenção, como a gestão em tempo real, o diagnóstico online, a intervenção à distância, a reposição automática de peças, que já vem sendo aplicados, mas cuja tendência é de um uso ainda mais ostensivo. “Há também a realidade virtual ou aumentada, que pode ser utilizada para manutenção guiada, instalação e reparo, documentação virtual e 3D, service desk e suporte assistido para quem está no campo”, exemplificou. 

Na sequência, o engenheiro mecânico e consultor Norwil Veloso, autor do livro Gerenciamento e Manutenção de Equipamentos Móveis, ministrou uma palestra técnica sobre gestão de manutenção, apresentando os tipos, suas aplicações, suas vantagens e desvantagens. “A manutenção preventiva, por exemplo, pode reduzir as paradas não programadas e alcançar uma diminuição de 20% no custo após um ano”, disse. 

Veloso enfatizou a questão da gestão de equipamento, que engloba a parte de manutenção, como uma forma de otimizar os resultados das empresas, porque ele diminui a ociosidade e otimiza os investimentos. “Ela pode reduzir, ainda, as despesas com locação de máquinas”. 

Entre os tipos de manutenção aplicadas no cenário atual, além da preventiva, Veloso comentou sobre a preditiva, que mede os parâmetros físico-químicos do equipamento para tomada de decisão do usuário, a manutenção Preditiva Total (TPM), que envolve toda a equipe nas atividades, a Manutenção Centrada na Confiabilidade (RCM), para preservação das condições dos equipamentos, inclusive após a correção de falhas, a Manutenção Lean (LCM), cuja análise envolve o mapeamento do fluxo ao longo de toda a cadeia de valor. 

Ainda em sua palestra, o engenheiro mecânico falou sobre engenharia de manutenção, gestão de ativos e a lubrificação e resumiu as práticas mais importantes no setor. “Precisamos gerenciar a frota para otimizar o investimento, buscar a qualidade de manutenção que aumenta a vida útil, procurar realizar a manutenção preventiva para diminuir as paradas não programadas e na lubrificação, impedir a contaminação”. 

A terceira palestra do Workshop 2017, intitulada A Gestão da Manutenção e a Importância de seus Indicadores foi ministrada pelo engenheiro Silvimar Fernandes Reis, consultor em Gestão de Ativos do Grupo Galvão e do Grupo Mobibrasil e autor da obra Conversando com a Máquina. “A manutenção é estratégica e não está sozinha, ela se relaciona com vários setores da empresa e esses departamentos precisam, também, funcionar bem para não impactar na área de manutenção”, explicou. “No atual cenário, ela não representa um custo e sim uma oportunidade”. 

A questão do planejamento e do seu controle foram ressaltadas por Reis, como essenciais para a área de manutenção de ativos, bem como a escolha da melhor variável de controle. “Entre as variáveis, destaco a questão da quilometragem por hora, do combustível acumulado e do calendário. Em minha opinião, um dos melhores é a do combustível”, exemplificou. “Mas, infelizmente, ainda os sistemas de manutenção disponíveis não contemplam esta necessidade”, acrescentou. 

Sobre os indicadores, a seleção varia conforme o segmento, a empresa, a obra e até o período. “Assim, temos alguns requisitos que precisam ser considerados, como aplicabilidade, mensuração, fácil coleta, estar relacionado a algum objetivo, entre outros”, avalia. “Em uma construtora, por exemplo, poderia selecionar os pneus, os serviços e os combustíveis. Isso porque eles necessitam de processos para que não haja possíveis desvios”. 

Pela questão da integração entre as áreas, Reis destacou também possibilidade de selecionar a mão de obra como um indicador, se ela tiver representatividade importante em nível de custo. “Não é necessário muitos indicadores, mas alguns que sejam assertivos para os objetivos de cada companhia, além disso, que eles possam se correlacionar”, ressaltou. Outro indicativo que Reis analisou como possível indicador do futuro é a emissão de CO2. 

Afonso Mamede, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), fez uma análise do atual cenário político-econômico no Brasil, e destacou as atividades da entidade para o desenvolvimento da construção, da infraestrutura e da mineração na abertura do Workshop 2017. 

O evento ainda contará com um painel de debates, com a participação de Alisson Daniel, diretor da Escad Rental; David Rodrigues, CEO da Makro Engenharia de Movimento; Fernando Guimarães, diretor executivo da Viação Cometa S/A; Ivan Montenegro, diretor de Implantação e Operação da New Steel; Marcos Iwamoto Ferreira, gerente de Manutenção da Embú S/A, e Pedro Buffoni, da TMD - Tecnologia, Manutenção e Diagnóstico. A moderação é de Claudio Schmidt, diretor executivo da Sobratema.

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